Uma palavra de valor......

״הלל ושמאי קבלו מהם׃ הלל אומר׃ הוי מתלמידיו של אהרון, אוהב שלום, ורודף שלום, אוהב את הבריאות, ומקרבן לתורה.״


"Hilel e Shamai foram discípulos dos precedentes. Hilel dizia:
procurai ser como os discípulos de Aarão, amai a paz, procurai a paz, amai as
pessoas e aproximai-as da Lei divina."
״אם אין אני לי מי לי, וכשאני לעצמי מה אני, ואם לא עכשיו אימתי.״

"O mesmo dizia: Se eu não for por mim, quem será por mim? E quando
eu sou só por mim, o que sou eu? E se não for agora, então
quando?"
.................................................................(Pirkei Avot 1:12,14)

Beit Midrásh

Beit Midrásh
A Casa dos Sábios

sábado, 28 de agosto de 2010

Sou judeu por ter um sobrenome judeu?

Muitas pessoas tem me parado questionado sobre a possibilidade de serem descendentes de judeus.
Às vezes, por causa de uma curiosidade ou uma má informação, alguns "
filhos de judeus" nunca procuram suas raízes, e outros tantos não judeus, tomam para si um encargo que não é seu.
Aqui exponho a resposta que enviei a tantos amigos que já me questionaram sobre o assunto; porém em especial ao que tange a família "
de Oliveira" e sua
judaicidade. (Quero lembrar, porém, que o mero sobrenome não faz uma pessoa judia existem muitos outros fatores que serão abordados mais tarde).

AS ORIGENS JUDAICAS DA FAMILIA OLIVEIRA

Sim, a família Oliveira é de origem judaica. Abaixo transcrevo um texto que você pode encontrar aqui mesmo no grupo. Neste texto temos alguns detalhes sobre a origem desta família.

1. A família Oliveira era classificada no estudo genealógico-judaico como de comprovada origem judaica. Antes da inquisição a família “de Oliveira” era conhecida na Espanha como “Benveniste”, que adquiriu durante o domínio muçulmano, mas antes dos islamitas conquistarem a península Ibérica ela era chamada de “ha-Levi” ou de “ha-Itshari, por ter sido esse o nome do fundador da mesma.

Os demais Benveniste que se estabeleceram em Portugal, com a introdução da Inquisição adotaram forma traduzida de seu sobrenome de família par disfarçar sua origem judaica, e esse nome traduzido
significa “bem vindo” e se tornou o sobrenome de família “Benvindo”, que ao chegar ao Brasil colonial e ao se estabelecer no Nordeste, se tornou muito numerosa no interior de Pernambuco e Bahia.
E como segundo a historiadora da USP Anita Novinsky – autoridade mundial em Inquisição Portuguesa - 1 em cada 3 portugueses que chegaram no Brasil nas primeiras décadas do após o Descobrimento era cristão novo, os Oli
veira e seus primos os Levi ,Levy , Benveniste e Antunes chegaram em grande quantidade se concentrando principalmente na Região Nordeste.
As próprias crônicas da época atestam a presença de famílias Levi, Levy e Oliveira em grande quantidade no Brasil colônia.
O fundador da família Oliveira foi o rabino Rabi Abraham Benveniste que nasceu em 1433, na cidade de Soria, na província de Cáceres, no Reino da Espanha. Ele era descendente direto do Rabi Zerahiá ben-Its’haq ha-Levi e Gerona, que viveu no século XII e era chamado ha-Its'h
ari, ou de Itshari, pelo fato de sua genealogia ir ate aos filhos de Its'har, que era tio do profeta Moshe Rabenu.
Esse rabino juntamente com toda sua família fugiu da Espanha antes da publicação do decreto de expulsão dos judeus em 1492. Mas antes disso, como na Espanha, eles viviam na província ou localidade de "Oliva-Cávia' ', já naquela época eles eram chamados Olivares ou Olivarez que significaria inicialmente os que são naturais de Oliva.
Porém cabe ressaltar que essa família levita se estabeleceu nessa localidade intencionalmente, por dois motivos, primeiro por ser interiorana e longe dos grandes centros da Espanha, onde começaram as primeiras matanças de judeus ou pogrons, promovidos por padres católicos fanáticos das ordens dos dominicanos e carmelitas, que incitavam a população cristã velha ignorante a matar os judeus cristãos-novos e os judeus ainda não conversos.
E em segundo, por causa do nome da localidade, que caso começ
assem o batismo forçados de novo, favorecia com que eles se tornassem cripto judeus ou judeus secretos em um sobrenome que
lembrasse e facilitasse mais tarde o resgate de suas raízes judaicas e a identificação de suas origens. Muitos sobrenomes de judeus sefardim anussim surgiram assim durante época da Inquisição.
E como
ocorreu no caso dos “de Oliveira”, que era então conhecido como Olivares?
Ocorreu de duas formas, primeiro eles aproveitaram o fato de que na palavra oliveira, está implícito o fonema das letras latinas, cujos sons representavam o som ou fonema do nome de sua família em hebraico Levy no caso L-V-Y. E isso lhes passou a mente pelo fato de que nas línguas semíticas como o hebraico, o aramaico, o árabe e o amarico da Etiópia, não se usarem vogais na forma escrita dessas línguas e sim somente as con
soantes.
Foi devido a esses mecanismos lingüísticos adotados pelos sefardim e anussim, que muitas famílias judaicas conseguiram escapar dos ataques da Inquisição até pelo menos conseguir fugir da Península Ibérica.
Foi dessa forma, por exemplo, que dentre tantos outros milhares de sobrenomes na língua hebraica que os judeus com sobrenome Cohen, que significa sacerdote conseguiram camuflá-lo como Cunha, os Natan e Ben Natan, também de origem levítica se disfarçaram com o sobrenome Antunes/Antunez, os Ben Moreh que significam filhos do professor, viraram os Moraes e Moreira, os Ben Menashe ou filhos de Manasses ou descendentes da tribo e Manasses viraram os Menezes, os Ben Meir, ou filhos dos iluminados ou dos sábios se disfarçaram com os sobrenomes, Meira/Meireles.
Que os Fares da tribo de Juda, viraram os Farias, que os Ben
Soher, que significa filho ou descendente de comerciante ou de guardas, virou Soeiro e Soares/Suarez, que os Ben Nun descendentes de membros da tribo de Efraim se transformou nos Nunes e Nunez, e foi assim também que os Ben Shimon descendentes da tribo de Simeão, com seu numeroso ramo na península Ibérica que incluem até o Ximenes/Ximenez da Galícia, se tornaram os Simões de Portugal.
E que os Guimarim ou estudantes e interpretes da Guemara, tratado religioso judaico, que era descendente da tribo de Levi, se transformaram na família Guimarães , e foi dessa forma ainda que a antiga família Quirós que é também uma família descendente da tribo de Levy, adotou os sobrenomes Queirós,Queiroz e Queiroga .
E existem muitos outros casos que abordarei no futuro de forma mais resumida.
A segunda razão pela qual os Benveniste ou Ha-Levy adotaram o sobrenomes
Olivares/Oliveira, era porque eles também perceberam que como o óleo da santa unção usado par ungir os antigo levitas e sacerdotes judeus, tinha como seu principal componente o azeite ou óleo da planta oliveira, que era abundante na região de Oliva-Cavia.
Isso reforçaria mais ainda a origem judaica sacerdotal , mas disfarçada de seu sobrenome diante dos demais judeus que estavam partindo para a diáspora sefardita , com o decreto de expulsão de 1492.

Já o emprego do sufixo final ES/EZ presente no sobrenome inicial Olivares, era devido ao habito dos judeus sefardim e anussim, empregarem-na como uma sigla adotada pelos judeus cristãos-novos no final de seu sobrenome com duas finalidades, a primeira identificar de quem a pessoa judia descendia, em substituição da palavra hebraica ben e do aramaico bar, que significam filho de.
Essa sigla EZ/ES significa a expressão hebraica Eretz Yisrael e servia para apontar de que lugara a pessoa judia era para que os judeus pudessem identificar-se entre si sem serem notados pelos braços da Inquisição e dessa forma se ajudassem mutuamente como cripto-judeus, ou judeus secretos.
E como já expliquei anteriormente em outro texto, ele servia para que todos eles que tinham ES ou EZ no sobrenome, sendo filhos de... ou descendentes do povo de Eretz Yisrael, a Terra de Israel, e foi por isso também que os judeus ficaram em parte conhecidos na época da Inquisição como “a gente da nação”. Ou seja, da nação judaica.
E essa Sigla ou fonema ES/EZ que representa a frase Eretz Israel = T
erra de Israel, para designar que a pessoa pertence
a uma família de origem judaica ou do povo de Israel, convertida a força ao catolicismo durante a época da inquisição, é encontrado com a mesma finalidade tanto nos sobrenomes Perez/Peres/ Pires, como também para designar, por exemplo, a origem judaica dos sobrenomes de família de origem hispânico-portuguesa: Aires/Ayres, Anes/Annes (forma reduzida de Yohanes/Yochnam/ João), Rodrigues, Rodriguez, Hernandez/Fernandes, Henriques/ Henriquez, Mendes/ Mendez, Alves/Alvez, Alvares/Alvarez, Gonçalves/Gonzalez, Martines (de Martins) / Martinez, Galvez/ Galves, Gutierres/Gutierrez, Garcez/ Garcês (que originou o sobrenome Garcia), Ximenes/Ximenez, Soares/Suarez, Simoes/Simeones, Nunes/Nunez, Lopes/Lopez Gomes/Gomez, Marques/Marquez, Paes/Paez (variantes do sobrenome Paz), Meireles, Menezes, Abrantes, Neves, Olivares (que originou Oliveira), Fontes, Bentes, Tavares, Teles, Torres, Guedes, e assim por diante, são todos estes sobrenomes de famílias cristas-novas.
Com a lei que obrigava o batismo forçado em massa de judeus em Portugal, a família, Olivares/Benveniste /Levy, dividiu-se ao conseguir escapar da Espanha, em três grupos, com nomes distintos, os "Oliva-Cávia”, que depois viraram os "Oliver-Cavia”, os "Del Medico”, porque essa profissão era comum entre eles, e também muito difundida entre os demais judeus, especialmente na idade média na Península Ibérica.
Posteriormente na Itália se tornaram os "dal Medigo" e os Olivete, e os Olivares que ao adentrar em Portugal, trocou o sufixo ES pelo “EIRA”, tornando-se “de Oliveira”.
Após fugir da Espanha o Rabi Zerahiá ha-Levi de Gerona, e estabeleceu no sul da sul da França, de onde seus descendentes, os que se transferiram para a região central espanhola seguiram para Portugal dando origem aos Oliveira de onde por sua vez surgiram os seguintes ramos todos aparentados, além dos que mantiveram o sobrenome Benveniste: 'Oliveira, Oliveyra, Olivares, Olivera, Oliver, Oliveros, Olivetti, Olivette.Um segundo ramo que se dirigiu da França para a Itália e Europa Oriental originaram os já citados "Del Medico" e "Del Medigo", e ao misturar-se com os judeus asquenazitas deram origem as famílias levíticas Horovitz, Segal, e Epstein.

Quero pedir desculpas aos amigos por não expor aqui as fontes de onde extraimos o material acima postado pois bem aí está:

"Marranos and the Inquisition on the Gold Route in Minas Gerais, Brazil" in The Jews and the Expansion of Europa to the West, 1450-1800" New York/Oxford: Bergham Books, Oxford, 2001, pp. 215-241. Novinsky, Anita, Prisioneiros Brasileiros na Inquisição, Rio de Janeiro: Expressão e Cultura, 2001. SALVADOR, J. Gonçalves. Os cristãos-Novos em Minas Gerais durante o Ciclo do Ouro. São Paulo, Pioneira, 1992. NOVINSKI Anita. Inquisição, Inventários de Bens Confiscados a Cristãos-Novos no Brasil – século XVIII. Lisboa: Imprensa Nacional/Casa da Moeda, 1978, pp.223-224.

Inquisição de Lisboa nº 6.515, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, manuscrito. Veja BROMBERG, Raquel Mizrahi. A Inquisição no Brasil: Um capitão–mór judaisante.São Paulo: Ed. Centro Estudos Judaicos, USP ,1984. Sobre Manoel Nunes Viana, veja "o Processo de Miguel de Mendonça Valladolid,Inquisição de Lisboa 9.973". Lisboa, Arquivo Nacional da Torre do Tombo, manuscrito e Manuscritos não catalogados "caixa 676, século XVIII, anos 1703 –1710, 29 janeiro 1710 e caixa 83, ano 1719. Lisboa, Arquivo Histórico e Ultramarino, manuscritos.

Existem ainda outros, mas para o que foi postado acima julgo ser suficiente.

(Extraido do blog:mentes pensantes de Shaul haLevi)



quinta-feira, 26 de agosto de 2010

De Andaluzia, a nossa Sefarad ao mundo...ספרד.. الأندلس

Circunstâncias diversas levaram o povo judeu, mensageiro primeiro de uma fé monoteísta, a sofrer contínuas discriminações e perseguições que o forçaram a constantes fugas, fator determinante de sua presença nos mais antigos movimentos migratórios mundiais. Migrando dos antigos domínios gregos e romanos, os judeus estabeleceram-se em terras européias e asiáticas e nas do continente africano. Pode-se afirmar que, antes mesmo da destruição do Segundo Templo de Jerusalém, no ano 70, significativa parte do povo não mais se encontrava em terras do Oriente Médio. As históricas migrações do povo judeu passaram a ser conhecidas como Diásporas. De todas, a primeira, ocorrida em 586 a.e.C, decorrente da destruição do Templo de Jerusalém, foi a mais importante, pois na Babilônia - cidade do primeiro exílio - sábios, tomando consciência da realidade religiosa do seu povo, explicitaram a fé e sistematizaram os princípios básicos do judaísmo. Foi nos recintos da Grande Sinagoga do Iraque, na então Babilônia, que antigos sábios redigiram, no século V, textos talmúdicos, comentando-os de forma completa, profunda, final. A milenar dispersão dos judeus por vários espaços geográficos, assimilando costumes e valores, produziu um povo de 16 grupos, culturalmente diferenciados. No conjunto, o asquenazita, utilizando-se do iídiche (idioma oriundo de palavras alemãs, eslavas, russas e hebraicas), seguido pelo sefaradita, proveniente da Península Ibérica, expressando-se em judezmo/español ou ladino (idioma composto de termos espanhóis, portugueses, árabes, turcos e franceses), o judeu-oriental, expressando-se em árabe, os judeus da Itália de variada origem, os do Magrebe (Norte da África), os iraquianos, os sírios, os iemenitas, os persas, os de Bukhara do Uzbequistão, os falashas da Etiópia e outros poucos constituem exemplos da variada riqueza absorvida pelo povo judeu em diversos espaços culturais. Além de substituir o hebraico por outros idiomas, um judeu diferencia-se de outro pela aparência física, comportamento, vestimenta, gosto musical, culinária e mais características culturais absorvidas no Ocidente e Oriente.
A expulsão dos judeus da Espanha, em 1492, e a Conversão Forçada de 1497, em Portugal, produziram a "Diáspora Sefaradita", levando judeus e cristãos novos a buscar refúgio em terras como as do Norte da África e as do extenso Império Otomano. No Mediterrâneo, os judeus ibéricos posicionaram-se em núcleos urbanos na Itália e nos Bálcãs, compondo formidável rede familiar de relações sócio-econômicas, que tornou válida a idéia do Mediterrâneo como o "Mar Sefaradita" ou o "Mare Nostrum Sephardicum", expresso por alguns historiadores. Bayasid II e seus sucessores, a partir do século XV, acolheram os sefaraditas no domínio otomano e valeram-se de seus préstimos e conhecimentos não só para a expansão e desenvolvimento do comércio regional e internacional, mas também para o incremento das finanças, diplomacia, negócios bancários, corretagem e ourivesaria. Os refugiados de origem ibérica foram designados pelos dirigentes otomanos a importantes cargos político-administrativos, participando, inclusive, da estratégia de colonização de diversas áreas do vasto Império. Os positivos contatos mantidos entre sefaraditas e otomanos permitiram que laços de identidade se solidificassem com o tempo, em convivência de mútuo e duradouro respeito. O sistema político-administrativo otomano permitiu às minorias a preservação da religião, do idioma, das tradições e costumes. Em meados do século XVII, novas conquistas levaram os otomanos a ampliar seus domínios, colocando sob sua égide diferentes comunidades judaicas, além da dos moçárabes, hoje conhecidos como judeus orientais. Estes viviam nas terras árabe-muçulmanas conquistadas pelas "Guerras Santas", iniciadas no século VII. A convivência de 13 séculos entre judeus e árabes aproximou-os em larga medida, alimentando uma tradição judaico-islâmica paralela à judaico-cristã do mundo ocidental.
Curioso foi o encontro cultural entre os sefaraditas e os diversos grupos de judeus do Oriente Médio. O orientalista Issachar Ben Ami, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, estudando a interação cultural produzida, assinalou que os contatos entre os sefaraditas e os judeus orientais seguiram três caminhos distintos: o da assimilação total dos exilados com os autóctones; o da preservação completa ou parcial da cultura dos exilados e o da influência direta e recíproca entre os dois grupos . Ben Ami acrescentou que os processos de interação dependeram da aproximação e afastamento dos envolvidos, em função de sua realidade numérica e condições locais. Além das terras mediterrâneas e otomanas, os sefaraditas estabeleceram-se em cidades da Europa Ocidental e Central, entre as quais as da França, Países Baixos e Inglaterra. Na cidade de Viena, ponto de passagem dos judeus espanhóis para Istambul, capital do Império Otomano, religiosos sefaraditas passaram para o ladino algumas preces judaicas . A decadência otomana e a ingerência do imperialismo europeu em terras do Oriente Médio levaram famílias de negociantes sefaraditas, procedentes de Istambul, Esmirna, Ilha de Rodes, Egito e de outras comunidades a buscar estabelecer-se em terras da Europa Ocidental, em diáspora à que chamamos de "Retorno ao Ocidente".
Em fins do século XV, judeus e cristãos novos ligados à epopéia dos Grandes Descobrimentos Marítimos participaram da colonização das terras ibero-americanas, africanas e asiáticas. Em 1636, uma comunidade judaica de origem portuguesa fixou-se no Nordeste brasileiro, procedente de Amsterdã. Dezoito anos depois, expulsos dos domínios batavos no Brasil, os sefaraditas que não retornaram a Amsterdã criaram os primeiros centros judaicos da América Central e de Nova Amsterdã, núcleo comunitário inicial da atual cidade de Nova York. Em meados do século XIX, movimentos migratórios leste-oeste-sul intensificaram-se e a maioria dos povos buscou a América. No contexto, o judeu, mais do que qualquer outra etnia, esteve presente em todos eles: cerca de sete milhões de judeus, de uma população total de doze milhões, passaram da Europa, Norte da África e Oriente Médio para a América. Além do Norte da América, grande número de sefaraditas buscou o México, Uruguai, Chile e Argentina, em especial por dominarem o ladino, idioma próximo do espanhol. Desconhecendo a proximidade do idioma materno com o português, poucas famílias sefaraditas buscaram o Brasil. Um dos movimentos migratórios sefaraditas foi o do retorno à Espanha. O político Angel Pullido, autor de "Espanhóis sem Pátria"4, buscando reconciliar a Espanha com os sefaraditas, expulsos em 1492, conseguiu-lhes a cidadania espanhola, após terminada a 2a Guerra Mundial. Finalmente, em 31 de março de 1992, comemorando os 500 anos do Édito dos reis Fernando e Izabel, o rei Juan Carlos proclamou: "Si Sefarad desterró a sus judíos, ellos non desterraron a Sefarad ni de su corazón, ni de su mente".


Por Rachel Mizrachi
1 Avigdor Levy. The Jews of the Ottoman Empire. N. Jersey: The Darwin Press, Inc., 1992. 2 Ben Ami Issachar. Sephardi and Oriental Jewish Heritage. Universidade Hebraica de Jerusalém, 1982. In, Identidade Sefaradi: Aculturação e Assimilação. Novinsky e Kuperman. Ibéria Judaica. Roteiros da Memória. São Paulo, EDUSP, 1996, p.343 e seg. 3 Anna Barki Bigio. Ladino e Hakitia: fontes, trajetórias e dichos. In: Confarad II, no prelo. 4 Obra publicada em Madrid, 1980. Rachel Mizrahi é autora de A Inquisição no Brasil: Miguel Telles da Costa, O capitão judaizante de Paraty. (2a.Ed., no prelo) e Imigrantes no Brasil: Os judeus. São Paulo: Lazuli/Ed. Nacional, 2005
Fonte: Morashá.com

ספרד.. الأندلس - A Idade de Ouro do Judaísmo Sefaradita


ספרד.. الأندلس

Recepção no Palácio de Medina Azahara, detalhe da obra de Domingo Baixeras, 1885. Foi na Espanha dominada pelos muçulmanos, durante os séculos X, XI e primeira metade do XII, que os judeus espanhóis criaram uma cultura extraordinária, atingindo altíssimos níveis em todos os aspectos do conhecimento. Este foi o período da chamada “ Idade de Ouro” dos judeus de Sefarad. Foi uma época marcada pela genialidade e versatilidade intelectual que, impulsionada pela sofisticada cultura árabe que florescia na Espanha medieval, chamada de Sefarad no hebraico medieval, produziu centenas de obras tanto no campo da filosofia e teologia judaica como em todos os ramos da ciência e da literatura. Para o judeu sefaradita, durante a Idade de Ouro, o conceito de “ideal” era o de um homem que combinasse em seu espírito, de forma harmoniosa, uma fé absoluta nas leis e preceitos judaicos, vivo interesse pela teologia e filosofia judaicas e elevado apreço pela cultura geral e ciências naturais. Uma afirmação feita pelo historiador e professor Josef H. Yerushalmi, em outubro de 1995, em palestra proferida em São Paulo, na Congregação Beneficente Sefaradi Beit Yaacov, revela esse conceito: “No íntimo da aristocracia judaica espanhola estava a imagem do judeu que combinava harmoniosamente elementos que, outras comunidades, em outra época, considerariam contraditórios ou conflitantes – uma escrupulosa observância religiosa aliada aos modos e costumes cosmopolitas; a Torá e a sabedoria grega; uma intensa devoção à tradição judaica e uma abertura genuína à cultura não-judaica circundante”. Mas essa era de brilhantes êxitos culturais e intelectuais não foi totalmente “dourada”, como se supõe. O apogeu da cultura hispano–judaica coincidiu exatamente com o de um renovado fanatismo religioso muçulmano que destruiu comunidades inteiras, colocando um fim à permanência dos judeus na Espanha Andaluza.


A invasão muçulmana
A expansão árabe, iniciada após a morte de Maomé, atingiu a Península Ibérica no século VIII, enquanto a região era dominada pelos visigodos. No ano de 711, Tarik ibn Ziyad, general e governador da faixa ocidental do Magrebe, chefiando um exército de sete mil homens e contando com o auxílio de convertidos berberes, venceu o visigodo Rodrigo, rei da Espanha. O poderio islâmico se estendeu com rapidez pela Península Ibérica. Prosseguindo em direção norte, os exércitos muçulmanos chegaram até a cidade de Tours, na França central, onde foram derrotados pelos francos, em 732. A expansão muçulmana tinha alcançado seu ponto máximo no ocidente e as conquistas praticamente cessaram a partir de então. A Espanha chamada de Al-Andaluz ou Andaluzia (denominação árabe da Espanha muçulmana) passou a fazer parte do Império Islâmico. Os invasores muçulmanos foram bem acolhidos pelos judeus espanhóis que, em muitos casos, ajudaram-nos a sobrepujar os cristãos. Durante o século VII os judeus foram perseguidos pelo reis visigodos. Obrigados a se tornar cristãos para poder viver na Espanha, muitos foram mortos, outros expulsos ou batizados à força. Abertamente, não havia mais judeus na Espanha na época da invasão islâmica, mas assim que os novos governantes assumiram o poder, a vida dos judeus melhorou sensivelmente e muitos judeussecretos” – chamados de cripto-judeus ou marranos – voltaram a praticar abertamente seu judaísmo enquanto outros se estabeleceram na Al-Andaluz vindos das demais partes da região e da Europa. A dinastia de califas omíadas, que, sediada em Córdoba, passou a dominar a região durante praticamente três séculos, criou na Andaluzia uma cultura cosmopolita e secular. Para a civilização ocidental, as contribuições da Espanha islâmica foram inestimáveis, pois, quando os muçulmanos entraram no sul da Espanha, grande parte da Europa havia sido devastada por bárbaros vindo do norte, a civilização clássica greco-romana tinha desaparecido e a Europa vivia um longo período de trevas imposto pela Igreja. Enquanto o resto do continente europeu afundava no obscurantismo e na ignorância, os árabes mantiveram por quase cinco séculos uma civilização altamente sofisticada e requintada na Espanha muçulmana.


A vida sob os Omíadas
Os califas omíadas eram governantes liberais e não exerceram qualquer tipo de discriminação opressiva contra os judeus. Pelo contrário, eram considerados um segmento útil e leal da população, sendo tratados com dignidade e respeito. Livres para exercer qualquer atividade cultural ou econômica, os judeus de Sefarad ingressaram em vários setores da economia, incluindo o comércio, as finanças e as profissões liberais. Desenvolveram habilidades políticas e se destacaram na administração pública. Tornaram-se médicos famosos, poetas ilustres, filósofos, astrônomos, cartógrafos de renome e também diplomatas e generais. A relação que a comunidade judaica estabelecera com os califas trouxe para os judeus sefaraditas uma maneira de viver agradável, produtiva e satisfatória. Foi este contexto em Sefarad que, em pouco tempo, atraiu milhares de judeus de outras partes do Oriente Médio e da África do Norte, que logo se estabeleceram nas cidades de Córdoba, Granada, Sevilha, Lucena e Toledo. A comunidade judaica de Sefarad tornou-se a mais populosa e rica fora da Babilônia. O estudo e o saber eram incentivados em todas as áreas, sábios e eruditos judeus gozavam de privilégios e honras parecidos aos dispensados aos estudiosos muçulmanos. O judaísmo andaluz entrou na chamada Idade de Ouro da cultura judaica no século X, ao se tornar independente do protecionismo religioso e intelectual da comunidade da Babilônia. Os laços que prendiam os judeus sefaraditas às autoridades gaônicas daquela região começaram a se afrouxar quando, em 929, o califa Abd-al-Rahman III rompeu com o Califado Central e declarou o Califado de Córdoba independente de Bagdá e da autoridade religiosa muçulmana do Oriente. O califa Abd-al-Rahman III foi um governante extraordinário, liberal e tolerante tanto na forma de pensar quanto nas suas ações. Durante seu reinado, o Califado de Córdoba tornou-se um importante centro econômico e cultural. Foi a primeira economia urbana e comercial a florescer na Europa, depois do desaparecimento do Império Romano. Um apaixonado pela filosofia, poesia, teologia e ciências seculares, Rahman estimulou e patrocinou o conhecimento sob todas as formas e em todas as áreas. Sem medir esforços, importou livros de Bagdá e recrutou sábios, poetas, filósofos, historiadores e músicos. Construiu uma infra-estrutura composta de bibliotecas, hospitais, instituições de pesquisa e centros de estudos, criando a tradição intelectual e o sistema educacional que tornariam a Espanha um centro de referência pelos quatro séculos seguintes. No século X, Córdoba, com uma população de mais de 500 mil habitantes, perto de 60 mil palácios e 70 bibliotecas (uma das quais abrigava 500 mil manuscritos e uma equipe de pesquisadores, tradutores e encadernadores), tornara-se um centro mundial e rivalizava em opulência cultural e econômica com o Cairo, Damasco e Bagdá. Para os judeus, também foi o início de uma época áurea. Na Espanha do século X havia prósperas comunidades em não menos de 44 cidades, muitas com suas próprias Yeshivot. Foi neste período que o judeu Hasdai Ibn Shaprut (915-970), um dos homens de confiança do califa Abd-al-Rahman, lançou as bases para o florescimento da cultura judaica. Excelente médico e diplomata, Ibn Shaprut tornou-se líder da comunidade judaica de Córdoba e passou a incentivar o estudo da Torá, do Talmud, fazendo renascer o hebraico. Generoso patrono, Ibn Shaprut convidava para visitar a cidade sábios talmúdicos, filósofos, poetas e médicos judeus. A erudição e a sede pelo conhecimento dos judeus sefaraditas ia muito além da excelência nos campos da Torá e do Talmud e da língua hebraica. Incluía – de forma paralela e harmoniosa – todos os outros ramos do conhecimento humano. Os sábios e eruditos judeus eram também grandes médicos, poetas, filósofos, matemáticos, cartógrafos e astrônomos. Os judeus espanhóis – assim como os cristãos – tornaram-se emissários das atividades cientificas e culturais da Espanha pelo resto da Europa. Mas a supremacia do Califado de Córdoba não era sólida e ventos desfavoráveis estavam prestes a derrubá-lo do poder, sinalizando para os judeus sefaraditas o início do fim da era de tranqüilidade na Espanha muçulmana. Quando berberes muçulmanos tomaram Córdoba, fazendo desmoronar a dinastia dos califas omíadas, os judeus viram-se diante de um dos primeiros momentos negros da Idade de Ouro. No entanto, por algum tempo, a situação ainda se manteve estável.


Os perigos em Al-Andaluz
A vida judaica na Espanha muçulmana não estava isenta de ameaças. De um lado, havia os perigos inerentes à dinâmica da política islâmica vigente em qualquer território governado por muçulmanos. Do outro, a pressão imposta sobre os governantes muçulmanos pelos exércitos cristãos determinados a reconquistar a Península Ibérica do domínio mouro resultou na entrada, na Espanha, de tribos islâmicas vindas do norte da África. Em todo o mundo muçulmano o conflito entre as grandes dinastias religiosas que se sucediam no poder era exacerbado por disputas doutrinárias sobre o rigor na aplicação da lei islâmica. Quanto mais rica e mais liberal uma dinastia, mais vulnerável se tornava ao fanatismo de fundamentalistas. E quando uma dinastia liberal era substituída por uma mais fanática, os judeus (assim como os cristãos e outras minorias) eram imediatamente expostos aos riscos inerentes à sua condição de dhimmis. O estatuto de dhimmis era mais do que um acordo que obrigava judeus e cristãos a pagarem certas taxas e impostos para que lhes fosse permitido viver em terras muçulmanas sem aceitar o Corão. A dhimma, na realidade, era um pacto que suspendia, mas não abolia, o “direito” do conquistador muçulmano de matar e confiscar a propriedade do “infiel” conquistado. Os dhimmis eram cidadãos de segunda classe e sobre eles podia ser aplicada uma série de leis destinadas a rebaixá-los social e economicamente. O rigor na aplicação das leis dependia de cada governante muçulmano que podia revogá-las ou aplicá-las com maior ou menor severidade, a seu bel prazer. Existiu, durante muito tempo, entre os governantes da Espanha muçulmana, um certo consenso sobre a “utilidade“ dos judeus espanhóis e uma decisão de ignorar algumas das exigências mais rigorosas da lei muçulmana no tratamento das minorias. Mas essa posição foi abandonada quando o fanatismo religioso tomou conta dos novos governantes da Espanha islâmica. Quando, no século XI, desmembrou-se a dinastia omíada, dando inicío à Reconquista Espanhola, tornou-se evidente a causa maior que iria determinar o fim desse período: a inabilidade dos sucessivos governantes da Espanha islâmica em manter uma unidade política para enfrentar os exércitos cristãos. Quando, se sentem ameaçados pelos exércitos cristãos, os muçulmanos procuram auxílio nas seitas berberes fundamentalistas do Norte da África. Chegava ao fim a vida judaica na Espanha muçulmana.


A invasão almorávida
O desmembramento da dinastia omíada e a ausência de um poder forte por todo o século XI permitiram, na Andaluzia, o estabelecimento de uma série de pequenos estados islâmicos que variavam em extensão, recursos e poder. Os mais poderosos eram os de Toledo, Sevilha, Badajós e Granada. Em alguns destes, os judeus se sobressaíram ocupando cargos administrativos. O caso mais famoso foi o de Rabi Samuel Ibn Nagral Ha-Naguid (905-1055). Nascido em Córdoba, fugiu dos berberes que tomaram a cidade e se refugiou em Granada, onde se tornou vizir e comandante-chefe do exército. Rabi Ha-Naguid era o epítome do judeu sefaradita, uma síntese harmoniosa de feitos seculares e religiosos. Estudioso da Halachá, líder comunitário, estadista e poeta, considerava sua função política um “chamado Divino” para proteger seu povo e se empenhava pelo seu bem-estar. Além de ser pródigo com os pobres e os necessitados, patrocinou os estudos de um grande número de eruditos e intelectuais judeus. Quando os reis cristãos começaram a representar uma ameaça real para os domínios islâmicos e Alfonso VI retomou Toledo, em 1085, os governantes muçulmanos pediram auxílio aos almorávidas, uma dinastia berbere islâmica do norte da África. Os almorávidas atenderam o chamado e derrotaram os cristãos, mas, em contra-partida, tomaram o poder para si próprios. A meta inicial dos almorávidas era estabelecer uma comunidade política na qual os princípios islâmicos fossem aplicados. Violentos e impre-visíveis, introduziram na Espanha muçulmana uma intolerância até então desconhecida. Por algum tempo, a situação dos judeus tornou-se precária. Os governantes almorávidas os excluíram da administração do estado. Ameaçaram a rica comunidade judaica de Lucena com a conversão forçada, mas aceitaram um pagamento vultuoso, um alto resgate, para aceitar que a comunidade não reconhecesse o Islã. Mas os judeus tinham muito a oferecer aos novos conquistadores em todos os setores, em particular na área administrativa e diplomática, e com o tempo conseguiram reconquistar um tratamento favorável. Assim, a primeira metade do século XII assistiu o clímax da Idade de Ouro do judaísmo sefaradita. A maioria de seus maiores expoentes viveram justamente entre os séculos XI e XII.


Almôadas e a fuga dos judeus
O derradeiro e abrupto fim das comunidades judaicas na Espanha muçulmana ocorreu 50 anos mais tarde, com a chegada à Espanha, em 1146, de novas tropas muçulmanas ainda mais fanáticasos almôadas. Berberes do norte da África, os almôadas se uniram para lutar contra os almorávidas. Seu objetivo era terminar com a corrupção e a lassidão dos governantes islâmicos em seguir e aplicar as leis do Corão. Esses novos guerreiros sitiaram Marrakesh e rapidamente passaram a controlar toda a Espanha muçulmana, terminando com o domínio almorávida. O fanatismo religioso e a intolerância incondicional trouxeram insatisfação à população, em geral, e grande sofrimento e destruição para as comunidades judaicas do sul da Espanha. Fecharam sinagogas e yeshivot. Os judeus passaram a ser obrigados a usar roupas que os diferenciassem e não podiam mais negociar livremente. E como na época dos visigodos, passaram a ser obrigados a se converter – desta vez ao islamismo – sob a ponta de espada. A emigração de boa parte dos judeus da Andaluzia a partir do século XII, provocada pela intolerância de seus governantes, fez a cultura judaico-hispânica perder o antigo brilho. As comunidades judaicas do sul da Espanha não conseguiram sobreviver à perseguição. Muitos judeus, entre os quais Maimônides, fugiram para a África à procura de governantes muçulmanos mais tolerantes; outros foram para o norte da Espanha, então sob domínio cristão. Sentiam-se mais seguros sob domínio cristão, que os recebia de braços abertos. Os judeus tentaram reconstruir na Espanha cristã a cultura e o modo de vida que haviam desenvolvido nos séculos precedentes no sul da Espanha, o que conseguiram por algum tempo. Mas, quando, em 1492, Granada, a última fortaleza muçulmana, foi reconquistada pelos exércitos cristãos, os reis espanhóis decidiram colocar fim à presença judaica na Espanha. Expulsaram, no mesmo ano, todos os judeus de seus territórios. Era o fim da vida judaica na Espanha, os judeus espanhóis sefaraditas se espalharam pelo mundo levando consigo sua cultura e suas tradições que perduram até nossos dias.

Bibliografia: • Prof. Yosef H. Yerushalmi palestra proferida na Sinagoga Beit Yaacov no dia 25 de outubro 1995 “Os judeus sefaraditas entre o cristianismo e o islamismo Suplemento Especial Morashá; • Samelson, William, El legado Sefaradi: romances y relatos judeo-espanõles; • Borger , Hans, “Uma História do povo judeu”, de Canaã à Espanha. Editora Sefer; • Johnson, Paul “História dos Judeus, Editora Imago; • Seltzer, Robert, “Povo judeu, pensamento judaico “, editor A Koogan. Fonte: Morash.com
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quinta-feira, 15 de julho de 2010


"Os céus proclamam a glória de D'us, e o firmamento a obra de suas mãos." (Sl.19:1)

Quando olhamos para os céus, notamos como ele enumera a grandeza de nosso Eterno D'us. A precisão dos astros na abóboda celeste, como eles estão harmoniosamente entrelaçados, de forma a se encontrarem de tempo em tempo no mesmo lugar. Tempos estabelecidos pelo seu Criador. Assim, tudo o quer ele estabeleceu no tocante aos astros e todo Universo, se realizará no seu próprio tempo. Olhe e veja, os tempos estão se completando.

O que podemos dizer é: בָּרוּך אַתָּה יהוה אֱלהֵינוּ מֶלֶך הָעוֹלָם עוֹשֵה מַעֲשֵה בְּרֵאשִית

"Baruch atá Adonay, Eloheinu mélech haolam Ossêh maassêh bereshit."

"Bendito sejas ó Eterno nosso D'us, Rei do Universo que realizas os feitos da criação"

quarta-feira, 14 de julho de 2010

עוֹלָם וְהַיּוצֵר שֶלוֹ - O Universo e seu Criador


Olám vehaYotzér sheló- O Universo e seu Criador.


Olhando para o alto vemos como há grandeza, como há magnitude em tudo o que contemplamos. Até onde podemos alcançar, até onde nos é permitido chegar, somos convencidos sem palavras de que há um honrado Criador que tudo criou. Com tudo isso, sentimos a sua presença em tudo que está aqui dentro da atmosfera terrestre, cada pequena coisa, simples e ás vezes insignificante, mostra a presença de seu idealisador. Lá fora de nossa atmosfera, contemplamos como tudo funciona perfeitamente como um relógio, bem cronometrado e regulado. como está registrdo na Torah-Lei: "E disse D'us: Haja luzeiros no firmamento dos céus, para distinguir entre o dia e a noite; e que sejam por sinais, e por prazos, e por dias e anos...." (Gn.1:14)

Olhe, veja, há sinais, há prazos...

Assim, podemos saber que não há nada que o nosso Criador não saiba, pois ele fez o tempo.

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quinta-feira, 19 de março de 2009

Liberdade Excelente para entrar no Kadish !



Quão maravilhosa é a Misericórdia do Eterno nosso D'us em nos reconciliar consigo mesmo. Desde Adam-Adão, estávamos caídos e separados, distanciados de Hashem-D'us. Mas, ele mesmo, providenciou um resgate, uma maneira de nos atrair e nos envolver consigo. Na santidade das santidades vemos um significado glorioso. E é isso que quero compartilhar com os irmãos no Mashiach Yeshua-Jesus.


Há uma forte relação entre a Criação e o Mishkan-Tabernáculo, veremos como D'us é perfeito nas suas ações e atribuições. Vejamos:


*Os seis da Criação, o Sétimo dia-shabat e o Mishkan-tabernáculo.




1º. D'us estendeu os céus como uma cortina.


no mishkan: Estendeu-se as cortinas sobre o mishkan.




. Separação das águas superiores das águas inferiores pelo céu.


no mishkan: O Paróchet(véu) separando o Santo dos santos do Santuário.




3º. Que se reúna toda a água.


no mishkan: Fareis o Kior-pia, onde junta-se água para purificação.




4º. Que o sol, lua e as estrelas fiquem fixas no céu.


no mishkan:Um menoráh de ouro que irradie luz.




5º. D'us criou os peixes e as aves.


no mishkan: Havia os querubins com asas abertas.




6º. D'us criou Adam-homem e o pôs no Gan Éden.


no mishkan: Que Arão seja meu kohen gadol entre as partes, santo dos santos e o santuário.


"Adam pecou e D'us o espulsou do Gan Éden. Mas D'us permitiu Arão entrar no mishkan."




7º. Shabat, foi bendito e santificado por D'us.


no mishkan: Moshéh-Moisés bendisse os judeus e ungiu o mishkan e seus utensílios com shemen hamishchá-óleo da unção.




O glorioso é que para Arão poder entrar no Santuário e no Santo dos santos ele tinha que passar pela Pia, ou seja, pela purificação pela água e depois para entrar no Santo dos santos era necessário passar pelo altar de sacrifícios. Isto é mui glorioso!!!


Nós, como Adam fomos espulsos do Paraíso, e nos tornamos inimigos de D'us. Mas pelo sangue do Cordeiro-o altar de sacrifícios, e pela água da Palavra de D'us, que é a Pia. E hoje assim como Arão, podemos entrar no Kadish-santuário e no kedosh hakedoshim e ter intimidade com a shechináh de D'us. Baruch Hashem!!!